Em busca da cura


Esperança foi a palavra que a guiava naquele dia. Óculos escuros escondendo seus olhos avermelhados, os vidros escuros do carro erguidos não deixavam que ninguém a reconhecesse. Guiando o carro com pressa, ela precisava chegar em casa logo, para se esconder e processar tudo aqui que estava acontecendo. Ignorou sinais vermelhos, motocicletas que se atravessavam na rodovia. Só queria deitar em sua cama.
Chegou em casa com a sensação de que estava fora a dias, como quem viaja para um país distante por anos, mas só haviam algumas horas. Tirou as sapatilhas roxas que traziam a sujeira e, a esperança, daquele lugar que havia visitado, e correu para seu abrigo. Não podia ouvir aquelas palavras que haviam sido pronunciadas, doía demais. Chorou, foi amparada, e chorou novamente. Jurou que não deixaria escorrer mais lágrima alguma, pena que sabia que era impossível. Não resistiu e mais uma vez chorou. Recebeu todo apoio que precisava, aquele amparo que não havia chegado. Sossegou. Enxugou as lágrimas e recebeu apoio para seguir em frente. Seguiu. Resolveu aceitar tudo o que recusava para sua melhora.  Era difícil prever, mas a esperança é que ela melhoraria.
        Como já foi dito, esperança foi a palavra que a guiou naquele dia. Esperança de que em um futuro próximo, se liberte de todas aqueles textos e falas tristes, que a vida fique colorida -com todas as cores alegre que existem-  em um enorme clichê de comercial de margarina. Que a felicidade chegue. Que toda aquela luta terrível acabe. Que aquele lindo sonhe comece. Que tudo que há de mal, ao nosso redor, desapareça. Que tudo fique bem. Amém.





(Ao som do clichê motivacional "Tente outra vez - Raul Seixas", escrevi algo que não devia compartilhar, algo que publico sem saber o porquê. Afinal, talvez tenha deixado muito explícito algo que me incomoda em descobrirem. Desculpem, por essa observação sem sentido, já é tarde e não sei mais o que digo. Só queria mesmo dizer, não deveria ter publicado um texto tão pessoal, com título alto-explicativo, mas mesmo assim, o coloco aqui, sem saber o motivo. Me despeço com a dúvida se desejo que essa página seja lida ou não.)

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